Hoje, como em qualquer
outro dia foi especial para mim. Não pelo fato de eu estar de aniversário, mas
como as pessoas reagiram a ele.
Na minha cabeça não mudou nada, nem
mesmo as orações que faço pela manhã, apenas o agradecimento, não só por um dia
a mais, mas por ter conseguido sobreviver um ano mais. A primeira vez que
percebo os dias que eu costumo viver independentes, como únicos, agora juntos e
representados como mais um ano.
Esta é uma data que me faz lembrar
tanto coisas positivas quanto muitas negativas.
Muitas vezes nos últimos anos não
tenho passado meus aniversários fora de clínica, ou na ativa usando drogas,
bebendo, sumido da família, da minha filha, dos meus amigos que ultimamente já
eram poucos.
O último passei na rua, e não me
lembrei nem da data. Estava fora de área e de espaço. Não ligava nem pela minha
saúde, iria me lembrar do meu aniversário?
Por incrível que pareça a data se
tornou marcante para mim quando numa vez eu estava na SERTE fazendo meu
voluntariado.
Em várias conversas que tive com o
velho Fernandes, na maioria das vezes sobre nós mesmos, nossas famílias, lembro
que comentávamos muito sobre datas.
Nessas era comentada sobre nossos
natais, final de ano, “aniversários”.
O velhinho, muito ligado, depois de uns
20 dias que tínhamos comentado sobre essas datas seu Fernandes lembrou-se. Era
uma quinta-feira - dia que eu fazia o voluntariado na SERTE.
Ele comentou que no próximo sábado
era meu aniversário. Nem eu mesmo estava ligado no dia que iria cair o tal.
Sem o mínimo de importância para
mim, porém para ele uma data importantíssima.
Foi impressionante, confortante e, naquele
voluntariado ganhei o meu dia.
Nem mesmo minha família que eu tinha
naqueles dias ainda na figura da minha irmã chegou a comentar algo mesmo
prevendo esta data.
O mais forte ainda foi à ansiedade
dele quando me disse que o meu aniversário não seria no dia em que ele poderia
me ver. Não era dia do voluntariado.
Depois de tantas e tantas conversas
sobre várias situações de aniversário meus e dele, agora ele não poderia passar
presente junto comigo.
A pessoa que naqueles momentos da
minha vida em que eu mais me sentia sozinho, me oferecia através do falso
comodismo e aceitação a sua companhia que para ele bastava para comemorar o carinho
que ele sentia por mim. Foi
emocionante. Fui sábado lá.
Aquilo era tudo, um presente que dei
à ele.
Ele comemorou e me deu um grande
abraço de aniversário.
Alexandre Bandarra
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