sexta-feira, 28 de novembro de 2014

23 de Outubro



Hoje, como em qualquer outro dia foi especial para mim. Não pelo fato de eu estar de aniversário, mas como as pessoas reagiram a ele.
            Na minha cabeça não mudou nada, nem mesmo as orações que faço pela manhã, apenas o agradecimento, não só por um dia a mais, mas por ter conseguido sobreviver um ano mais. A primeira vez que percebo os dias que eu costumo viver independentes, como únicos, agora juntos e representados como mais um ano.
            Esta é uma data que me faz lembrar tanto coisas positivas quanto muitas negativas.
            Muitas vezes nos últimos anos não tenho passado meus aniversários fora de clínica, ou na ativa usando drogas, bebendo, sumido da família, da minha filha, dos meus amigos que ultimamente já eram poucos.
            O último passei na rua, e não me lembrei nem da data. Estava fora de área e de espaço. Não ligava nem pela minha saúde, iria me lembrar do meu aniversário?
            Por incrível que pareça a data se tornou marcante para mim quando numa vez eu estava na SERTE fazendo meu voluntariado.
            Em várias conversas que tive com o velho Fernandes, na maioria das vezes sobre nós mesmos, nossas famílias, lembro que comentávamos muito sobre datas.
            Nessas era comentada sobre nossos natais, final de ano, “aniversários”.
            O velhinho, muito ligado, depois de uns 20 dias que tínhamos comentado sobre essas datas seu Fernandes lembrou-se. Era uma quinta-feira - dia que eu fazia o voluntariado na SERTE.
            Ele comentou que no próximo sábado era meu aniversário. Nem eu mesmo estava ligado no dia que iria cair o tal.
            Sem o mínimo de importância para mim, porém para ele uma data importantíssima.
             Foi impressionante, confortante e, naquele voluntariado ganhei o meu dia.
            Nem mesmo minha família que eu tinha naqueles dias ainda na figura da minha irmã chegou a comentar algo mesmo prevendo esta data.
            O mais forte ainda foi à ansiedade dele quando me disse que o meu aniversário não seria no dia em que ele poderia me ver. Não era dia do voluntariado.
            Depois de tantas e tantas conversas sobre várias situações de aniversário meus e dele, agora ele não poderia passar presente junto comigo.
            A pessoa que naqueles momentos da minha vida em que eu mais me sentia sozinho, me oferecia através do falso comodismo e aceitação a sua companhia que para ele bastava para comemorar o carinho que ele sentia por mim.       Foi emocionante. Fui sábado lá.
            Aquilo era tudo, um presente que dei à ele.
            Ele comemorou e me deu um grande abraço de aniversário.

Alexandre Bandarra

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