"A terra é uma
escola, com uma única sala de aula,
na
qual alunos de diferentes níveis são reunidos;
os
que estão no primeiro ano convivem com os que
estão
na faculdade, mas na escola da vida não existe
hierarquia.
Nesta escola, se o orgulho permite,
uns
aprendem com os outros."
Uma grande profissão. Festas, ostentação e a minha permissão para que a dependência química instalada, me corroesse. Aos poucos e em pouco tempo, perdi bastante da vida, inclusive o domínio dela.
Não vou falar de perdas materiais, que, aliás, foram totais, falo daquelas que destroem a credibilidade, a moral, confiança e autoestima.
Com o passar dos anos, sem perceber vi-me morador de rua. Já não conhecia o homem no espelho.
Anos se passaram e eu segui bebendo a vida. Já não me preocupava o fato de não tomar banho, escovar os dentes, cortar as unhas, atos normais para um ser humano normal. Antes pensava que viver nas ruas significava liberdade, ledo engano. Minha vida estava aprisionada em um círculo vicioso, como dizia meu amigo Paulo poeta, pedir dinheiro para tomar cachaça, tomar cachaça para pedir dinheiro.
Debaixo da marquise de uma loja que estava para alugar, deitado em um papelão, vendo pessoas que passavam em busca de seus objetivos, pensava,será que um dia isto vai mudar? Ou vou morrer aqui? Concluí que precisava de ajuda, e ela veio. E se chama Abordagem de Rua. Na primeira tentativa recusei-me a ir com eles, afinal tinha duas garrafas de cachaça na bolsa, e mais uma vez ela foi mais forte que eu. Foi necessário mais sofrimento e humilhação para que me decidisse. Um dia eles apareceram pela derradeira vez, não perdi a oportunidade. Casa de Apoio Social do Jd. Atlântico. Este foi o meu destino e foi aqui que entendi uma frase filosófica que cita: É preciso estar bem, para descobrir que se estava mal. Recuperei boa parte da saúde, alimento-me bem, durmo em uma cama, tomo dois banhos diários e escovo os dentes. Hábitos que nas ruas já estavam esquecidos.
Hoje tenho a oportunidade de cuidar de mim e recomeçar uma nova vida. Percebo que as pessoas que trabalham na casa preocupam-se comigo e, a poucos dias, ganhei um voto de confiança tanto da psicóloga como da coordenadora da casa, que permitiram que eu fosse desacompanhado ao centro fazer um exame médico e mostraram-se felizes ao me ver retornar limpo e sereno, com o objetivo realizado.
Lembrei-me de minha mãe que me aguardava em casa preocupada, sem saber onde eu estava e se retornaria vivo, bem ou mal. Estas atitudes me ensinaram a dar valor às pequenas coisas. Estou visualizando e compreendendo o sentido da verdadeira gratidão. Sinto que cresci espiritualmente e só peço forças para continuar a ser a pessoa que sou hoje.
(Alexandre Bandarra)
Como um companheiro de dor nesta mesma caminhada me identifiquei, correndo e buscando estes mesmo objetivos simples, mas porém fundamentais para um bom convívio social. Parabéns Alexandre Bandarra por sua coragem em publicar parte da sua história de vida. (Ivanilton Oliveira).
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