Recentemente nossa
psicóloga Adriana, emprestou-me o livro de um norueguês chamado JOSTEIN GAARDER
intitulado O MUNDO DE SOFIA, um romance da história da filosofia. Foi amor a
primeira vista. Em certa passagem um filósofo chamado
HERÁCLITO DE ÉFESO (540-480 AC) nos chama a atenção para o fato de que o
mundo está impregnado por constantes opostos.
Se nunca ficássemos doentes, não
saberíamos o que significa saúde.
Se nunca tivéssemos fome, não
experimentaríamos a agradável sensação de saciá-la depois de uma refeição.
Se nunca houvesse guerras, não saberíamos
o valor da paz.
Se nunca houvesse inverno, não poderíamos
assistir à chegada da primavera.
Mas afinal, para
que serve a filosofia? Creio eu, que é para nos fazer pensar. Então vamos
trazer para nossa realidade o que Heráclito nos diz acima:
Quando morador das
ruas, queixava-me da falta de conforto ao dormir, do frio, da má alimentação e
da falta de segurança e até de preconceito. É claro que havia algumas
vantagens, não tinha que prestar contas de meus atos, não havia tarefas como a
de arrumar a cama em que dormi, até porque não a havia, não tinha que tomar
banho, e dormia até a hora que bem entendia ou até chegar o proprietário da
loja sob cuja marquise me abrigava.
Quando vim para a
Casa de Apoio Social do Jardim Atlântico comecei a perceber os opostos do que
vivenciava. Passei a dormir em uma cama confortável. Alimento-me bem, ganhei
roupas limpas e tenho a disposição, psicóloga, assistente social etc.. Enfim,
direitos assegurados pela constituição que o poder público está me oferecendo.
Mas onde há direitos também há deveres. Tenho que arrumar a cama em que durmo,
há horários pré- estabelecidos a cumprir, ajudo nas tarefas da casa e
esforço-me para manter uma boa convivência com os outros residentes.
Com o passar do
tempo as maravilhas tornam-se corriqueiras, já fazem parte do nosso dia a dia.
Já não nos lembramos das noites mal dormidas, da fome e do frio. Começam as
reclamações. Reclamamos do ronco dos companheiros de quarto, da comida, do café
e da falta de liberdade. Estamos insatisfeitos, queremos mais. Queremos o
conforto e segurança oferecidos pela casa e a liberdade que nos proporcionava a
rua. Será benéfica essa insatisfação? A resposta é sim se ela nos levar em
busca de uma melhor qualificação profissional que poderá nos proporcionar um
bom emprego e por consequência poderemos alugar um lugar para morarmos e
vivermos da forma que acharmos melhor. Afinal esta é a ideia da casa,
proporcionar condições para alcançarmos nossos sonhos. Mas conseguiremos isso
apenas reclamando da casa que nos acolheu e que inicialmente nos parecia ideal?
Filosofia é para
fazer pensar. Vamos pensar sobre isso?
(Lerina)
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirBela Reflexão sobre o Mundo de Sofia. Os opostos são indispensáveis na busca de uma evolução. Como dizem, o sofrimento é celeiro de luz e experiência. Mas a escolha é intimamente sua, você pode escolher ser a vítima ou o aprendiz. Parabéns!
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