quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Reflexões Acerca de Opostos





     Recentemente nossa psicóloga Adriana, emprestou-me o livro de um norueguês chamado JOSTEIN GAARDER intitulado O MUNDO DE SOFIA, um romance da história da filosofia. Foi amor a primeira vista. Em certa passagem um filósofo chamado HERÁCLITO DE ÉFESO (540-480 AC) nos chama a atenção para o fato de que o mundo está impregnado por constantes opostos.  
    Se nunca ficássemos doentes, não saberíamos o que significa saúde.
    Se nunca tivéssemos fome, não experimentaríamos a agradável sensação de saciá-la depois de uma refeição.
    Se nunca houvesse guerras, não saberíamos o valor da paz.
    Se nunca houvesse inverno, não poderíamos assistir à chegada da primavera.
     Mas afinal, para que serve a filosofia? Creio eu, que é para nos fazer pensar. Então vamos trazer para nossa realidade o que Heráclito nos diz acima:
     Quando morador das ruas, queixava-me da falta de conforto ao dormir, do frio, da má alimentação e da falta de segurança e até de preconceito. É claro que havia algumas vantagens, não tinha que prestar contas de meus atos, não havia tarefas como a de arrumar a cama em que dormi, até porque não a havia, não tinha que tomar banho, e dormia até a hora que bem entendia ou até chegar o proprietário da loja sob cuja marquise me abrigava.
      Quando vim para a Casa de Apoio Social do Jardim Atlântico comecei a perceber os opostos do que vivenciava. Passei a dormir em uma cama confortável. Alimento-me bem, ganhei roupas limpas e tenho a disposição, psicóloga, assistente social etc.. Enfim, direitos assegurados pela constituição que o poder público está me oferecendo. Mas onde há direitos também há deveres. Tenho que arrumar a cama em que durmo, há horários pré- estabelecidos a cumprir, ajudo nas tarefas da casa e esforço-me para manter uma boa convivência com os outros residentes.
     Com o passar do tempo as maravilhas tornam-se corriqueiras, já fazem parte do nosso dia a dia. Já não nos lembramos das noites mal dormidas, da fome e do frio. Começam as reclamações. Reclamamos do ronco dos companheiros de quarto, da comida, do café e da falta de liberdade. Estamos insatisfeitos, queremos mais. Queremos o conforto e segurança oferecidos pela casa e a liberdade que nos proporcionava a rua. Será benéfica essa insatisfação? A resposta é sim se ela nos levar em busca de uma melhor qualificação profissional que poderá nos proporcionar um bom emprego e por consequência poderemos alugar um lugar para morarmos e vivermos da forma que acharmos melhor. Afinal esta é a ideia da casa, proporcionar condições para alcançarmos nossos sonhos. Mas conseguiremos isso apenas reclamando da casa que nos acolheu e que inicialmente nos parecia ideal?
     Filosofia é para fazer pensar. Vamos pensar sobre isso?

                                                                                                                                           (Lerina)

2 comentários:

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  2. Bela Reflexão sobre o Mundo de Sofia. Os opostos são indispensáveis na busca de uma evolução. Como dizem, o sofrimento é celeiro de luz e experiência. Mas a escolha é intimamente sua, você pode escolher ser a vítima ou o aprendiz. Parabéns!

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