A Casa
Aos moradores da casa de apoio ao morador de rua
Às massas que se enroscam
Nas catracas, esquinas e isqueiros
Rostos anônimos
Com cheiro de pressa
No sovaco
O jornal, o café, o salário
O peso do sol
Que sobe preguiçoso
O dia se faz
E ninguém sabe
Aquele por detrás
O grito não jaz
Vem da rua
Que é passagem
Manifesto
E morada
Para aqueles que antes
Escondidos observavam o mundo:
-A casa é nossa!
A voz
Aos moradores da casa de apoio ao morador de rua
Aqui esqueço de mim
Aqui devo esquecer de mim
E me realizar no sorriso alheio
Sem medo das rugas e cortes
Que exalam, da pele e da alma,
A vida em toda sua potência
Oferecer e redescobrir-se
A cada instante
E dar voz
Aos que devem falar
(Raul Machado)
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