sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Educador Social



A rotina do Educador Social dentro da Casa de Apoio ao Morador de Rua inclui cuidado e administração dos medicamentos dos residentes, acompanha-los em consultas e exames médicos ou em saídas para serviços de assistência social, servir as refeições, delegar e supervisionar as tarefas de higiene pessoal e da casa feita pelos residentes, cuidar e distribuir materiais de uso pessoal (higiene, limpeza, roupas de cama, vestimentas, etc.) e dar atenção especial ao cumprimento das regras da casa, da boa convivência, do respeito e da harmonia entre os residentes. Inclui também motivá-los nos seus tratamentos e na busca de uma nova vida, conhecendo os residentes, dialogando com eles, instigando-os a participar de atividades que lhes façam bem e que possam contribuir nas mudanças que almejam para a vida deles, construindo projetos coletivos dentro da casa (blog, jogos, música, filmes, etc.), participando, coordenando e compartilhando dos momentos de reflexão e também de lazer dos residentes.

O objetivo final do Educador Social cremos que seja trabalhar no dia-a-dia, juntamente com a equipe técnica e coordenação, a autonomia e a ressocialização do residente, além da harmonia da casa. O Educador Social não pode, nem deve, mudar ninguém. Ele deve sim trabalhar para que o residente consiga mudar a sua vida com as suas próprias pernas e siga firme no seu tratamento, motivando-o para que ele possa algum dia, por contra própria, organizar sua nova vida em sociedade fora da Casa de Apoio, trabalhando, com saúde, com o apoio familiar ou de novos amigos, com um lugar para morar, longe dos problemas e dos vícios de antes, em paz consigo mesmo e com os outros.

Os desafios são muitos. Cada residente tem uma história de vida e uma personalidade única. Cada um traz consigo um obstáculo, um erro, um arrependimento e também uma esperança, uma motivação, um potencial, uma qualidade e um objetivo diferente do outro, e merece por isso atenção personalizada.

Trabalhar com os residentes questões como autoestima, transformação de vida, luta contra vícios em álcool e drogas, superação de problemas físicos e psicológicos e o rompimento do estigma contra o ex-morador de rua nem sempre é tarefa fácil quando estamos inseridos em uma sociedade que discrimina, que tem preconceito, que julga, que exclui e marginaliza, que ao mesmo tempo que criminaliza certas drogas glorifica o uso do álcool, incentiva a ostentação financeira, etc. Se a sociedade em geral continua doente assim, nossa tarefa se mostra ainda mais importante.

As recompensas, porém, são maiores. Ver os brilhos nos olhos de um residente com esperança, querendo, lutando e conseguindo transformar o modo como ele vê a vida e como age no mundo, ver residentes antes deprimidos se alegrarem através da arte e da expressão criativa, ver residentes encontrando soluções para seus obstáculos, ver residentes avançando em seus tratamentos, receber um sorriso, um “obrigado”, e ver na prática que o ser humano pode transformar a si mesmo e suas relações com o mundo para melhor, é incrível e nos dá alegria e força para seguir adiante. Por vezes, o Educador Social aprende muito mais do que ensina. E isso,sem dúvida, gera um ciclo positivo de aprendizados,  intercâmbios e resultados imensamente recompensadores para todos os envolvidos.

                                                    Raul Machado

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