quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Construção




 Hoje, depois de iniciar a minha recuperação, pensar e repensar sobre a minha vida, o que passou e como eu falo, com a maturidade de um ser humano, porém com a vigia constante de um dependente químico, escrevo buscando o prazer e a adrenalina que a leitura do meu passado me proporciona.
           
 Esta leitura muitas vezes tapa buracos dentro de mim e, me impede com que a inércia e o ócio que produz e ensina, não dê margens para me jogar ao fundo deles.
             
A alegria de sentir um texto pronto é utilizado na minha mente hoje como substituição de algo infrutífero, apesar da dificuldade de automaticamente me lembrar deles em muitos momentos do meu dia.
             
Falo das minhas escritas e meu sentimento em relação à elas como mais uma ferramenta que tenho hoje na minha reconstrução de vida.
             
Vivo um dia de cada vez e procuro fazer o melhor que posso dentro desse espaço.
             
Dias de lembranças, dias de gratidão no reconhecimento das minhas novas capacidades. É daqui para frente. Não preciso remoer no passado, mas agradecer pelas experiências que ele me trouxe a ponto de conseguir hoje sentir prazer no que faço.
             
Sinto hoje a liberdade de fazer tudo que eu quero sem me sentir recriminado e nem julgado. Erro, acertos, dúvidas? Não vejo o final disso, até porque estou vivendo só hoje. Não sinto culpa nem remorso porque a esperança de vida neste momento é maior do que ontem.
             
A minha capacidade de construir está aqui. É verdadeira e hoje, o que foi feito, entrego com desapego, pois o que me interessa é prosseguir.
                                                      
Alexandre

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