Existem ou existiram em nossas vidas
algumas transferências que foram necessárias e executadas quase sempre para
melhor. Tive que transferir um dinheiro
da minha conta para a de outra pessoa?
Gostaria
que transferisse um colega de quarto para um outro canto, pois não aguento mais
o ronco e os peidos dele?
Na
real quero deixar bem claro que transferência não é substituição. A meu ver é
colocar a mesma coisa que está num lugar em outro sem que precise modificar o
seu conteúdo.
Em
minha vida fiz algumas dessas transferências que tenho como boas e algumas más,
porém a que marcou mesmo foi esta.
Eu
fui ao mercado com um amigo que frequentou as ruas comigo quando morador por um
longo período. Encontramos uma garrafinha de água mineral vazia caída na
calçada. Lembrei-me na hora como por instinto: “transferência”.
Eu
gostava de mascarar as coisas que eu fazia quando morava na rua para não sofrer
os preconceitos e nem ser proibido de frequentar certos lugares. Só não
conseguíamos esta camuflagem com algumas pessoas que nos conheciam e já tinham
caído no conto do vigário. Bebíamos cachaça em garrafinhas de água mineral.
Comprávamos a garrafa grande do tal líquido e transferia para uma garrafinha. Assim
era abordado por pessoas de várias religiões. Uma Evangélica chegou a elogiar
meu companheiro por estar se hidratando. Pensavam que estávamos bebendo água
mineral. Podíamos dormir sentados na rodoviária bebendo “água mineral”.
Sentávamos na praça curtindo as madames com seus cachorrinhos de estimação, as
crianças brincando e até mesmo pedíamos dinheiro para comida, pois estávamos
apenas bebendo “água mineral”.
Tudo
isto era possível devido à Transferência.
Alexandre Bandarra
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